O filho de Osum, de Decio Zylbersztajn

  
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"O título deste livro pode induzir o leitor a esperar uma narrativa sobre os ofícios do Candomblé e a magia do Brasil profundo, com as suas frustrações e esperanças. Mas, o tema predominante, ou fundador deste livro é a invasão nazista na Holanda, suas consequências sociais e econômicas, seus efeitos morais (deformação de caráter) e o viés político (resistência).

A Segunda Guerra tem sido motivo de ensaios eloquentes, e duma ficção trágica, mas isso não intimidou Decio Zylbersztajn ao eleger o seu ângulo de visão com nitidez, poesia e verdade, dando temperamento e voz a vítimas anônimas da catástrofe. Nada como o cenário destrutivo da guerra para moldar a ética da sobrevivência. Esse é o assunto deste livro.

Figuras humanas da criação de Decio Zylbersztajn, densas e definitivas como Anna Lea, Jos Litvak, Cornelius van der Meer e Debora Levi, passam a integrar a partir de agora a galeria de grandes personagens da literatura. Se Machado de Assis pudesse ter lido O Filho de Osum, teria dito a propósito de Jos Litvak, “é um cafajeste por direito divino...” Em Jos Litvak a arrogância é uma excitação do egoísmo, que ele disfarça no uso de sua beleza física. Apaixonado pela própria imagem, jamais resiste a um espelho. Estudos criminológicos revelam que a mente do criminoso começa a formar-se pela recusa a reconhecer o óbvio: a semelhança entre os homens. Jos Litvak não tem compromisso com a humanidade. Pode traí-la sem remorso. Aliás, um romance cujas narrativas acompanham os dramas de refugiados de guerra, sua clandestinidade precária, com minas no trajeto, não se preocupa com remorsos quando o essencial é prosseguir existindo, simplesmente, apesar de tudo.

Aqui há algo da atmosfera de Joseph Conrad. Não apenas no contrabando de pedras preciosas, mas de liberdades humanas, circulando sobre a origem das polacas do Bom Retiro, em São Paulo, as imposições da tradição judaica, o comércio dos afetos, o duro exercício de viver, tudo isso merece de Decio Zylbersztayn um exame detido, numa linguagem que flui como o Rio Tietê ou o Rio Schelde, onde os valores desaparecem como oferenda ou indiferença.         Essas águas se misturam no delírio do barqueiro Cornelius van der Meer que, com destroços, e através duma arquitetura bizarra, reconstrói para si mesmo não só o seu barco, mas o mundo perdido..."


 Mafra Carbonieri
Academia Paulista de Letras   

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