Juventude, Laís Araruna de Aquino

  
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As imagens que habitam estes versos são capturadas a partir da posição única e não intercambiável do sujeito no mundo, revelando, ao final, uma província – ou um eu – em sua contingência e universalidade. É que a chuva que cai “no leito do Rio Capibaribe” é a mesma e vária chuva que ocupou, uma outra vez, os versos de Vallejo e Gullar, provocando uma reflexão poética sobre a existência. Igualmente, o campo ou o bairro acusam o topos geográfico a que se liga a poeta, mas, antes de confinar o seu estar-no-mundo, infundem-lhe o sentido metafísico do tempo ( “o nosso tempo é o enquanto”) e do espaço (“no centro de lugar nenhum (...)/a plenitude do vazio”) e as questões últimas que o pensamento se impõe – como em “morro na medida em que tenho consciência de morrer”. Isto não implica, no entanto, um afastamento da imagem poética, como se tributável da especulação, ao contrário, os topos e experiências recorridos aqui (“os barquinhos do Capiberibe”; “o rumorejo das árvores no vento”) são reabilitados em sua particularidade, em sua “configuração nunca idêntica/ porque a madeira desbota e teus cabelos vão a cinza”.

Ainda que múltipla, a matéria destes poemas se reúnem em torno do eu, situado em um mundo desencantado, de ontologias dissolutas, mas em que ainda se anseia por algum tipo de unidade ou união – providas, talvez e momentaneamente, pela síntese poética de “um presente que não importasse de retornar eternamente a si mesmo”. Sem fatalismo, no entanto. Estes poemas convidam a passear os olhos, “sob a luz dourada de verão”, pelos “morrinhos do horizonte”, com lirismo e uma dose do “espanto primevo e metafísico”. A juventude que se exige neste livro é a do olhar.

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