Cabeça de Antígona, de Patricia Porto

  
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Patricia Porto trata a poesia com rédeas curtas e economia absoluta de despropósitos. Seus versos não embalam, não aliviam, não confortam. Não foram construídos para se transcrever e dar de presente à/ao namorada/o; antes, para constatar e exibir duramente (novamente) a certeza de que o muro está em nossa frente (e não a musa, resgatada nas “Cores de Antígona”, nas lembranças de Platão): estou tarde, envelheço a olhos vistos / a olhos míopes, a olhos de pirata. E vamos em frente, entre uma topada e outra, porque a vida nunca foi moleza. A poesia (pelo menos a que merece ser tratada como tal) também não. Pelo menos nesses versos ela se faz é de sirenes “ao som de bofetadas”.     
Esses poemas cantam (e contam) coisas grandes (Um “vestido de rendas chinesas”) e pequenas (“Dá cá tua vida miúda, cansada, magra de sustos, suja de urinas”). Tudo aqui é sensação e linguagem. Como diz o título de uma das partes do volume, “A língua é corpo e o corpo é língua”. E a fala de Patricia tem força interior, coragem de exposição, sem economia de imagens (“A puta que vos pariu é corpo”), dizendo tudo o que lhe parece urgente dizer.
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